quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Juventude Azul

Eu queria poder falar tudo aquilo que se engasga quando penso. Queria poder me expressar por outro meio que não fosse as lágrimas nem a raiva absurda que me tapa a garganta. Se tudo que eu sinto se transformasse em palavras não seria o papel o lugar mais apropriado para guardá-las.
Quem sabe uma caixa? Assim como Pandora, seria eu mesma quem libertaria os males do mundo.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

completamente desnecessário?

talvez.
podia simplesmente abstrair e deixar passar um tempo, me acomodar.
podia esquecer a falta de sinceridade e a prepotência.
podia apenas fingir que nada estava acontecendo e 'let it go'.



mas não.
vamos pagar pra ver. fatalmente o circo vai pegar fogo..
que eu vou ser o agente criador do incêndio é inegável que serei, mas entregar os pontos sem brigar nunca.
não pode ser tão errado querer ter o direito de decidir a própria vida.
mas, veja,não me encontro mais só. mesmo tendo agora uma trégua dos pesadelos, eu sei que quando eles voltarem vão ter pessoas para me apoiar; mesmo que seja de longe, de fora dessa cova. não sei se eles sabem, mas é fato que eu não seria ninguém sem essa ajuda.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

é como se acordasse de um pesadelo e percebesse estar em outro. não há luz no fim desse túnel, eu estou sentada num canto escuro, sozinha, trancada. não há jeito, só esperar. e eu espero.
Ainda falta muito tempo.

Canção do Exílio

Sempre souberam das minhas idéias subversivas. Sempre tiveram medo que me aproximasse de política, movimentos sociais. A cor vermelha é temida dentro de casa. A palavra socialismo nunca é ouvida sem um tremor. Anarquia e comunismo são como xingamentos da pior espécie. Torturas da ditadura são lembradas sempre quando se fala de manifestações ou reivindicação de direitos. Tanto medo.
Meu ateísmo é visto com desconfiança. “Ficar” com garotos é promiscuidade, quase um pecado. “Esses seus novos amigos” são todos uns revolucionários-sem-causa, perdidos. Tudo é perigoso. Tantas coisas podem fazer mal, prejudicar meu futuro.
Não escreva seu nome, não dê seu telefone, não freqüente essas reuniões. Cuidado com o que fala, não entre nas fotos, nada de ir para frente das multidões.
Tudo isso é vontade de atenção, minha filha. Você não se sente reconhecida dentro de casa? Querida, isso é fase. Eu também fui jovem. Você deve se preocupar com a física-química-matemática. É isso que vai garantir seu carro-novo no futuro, o seu bom-emprego. Daqui a 20 anos você vai me agradecer por não te deixar ir.
Mas e se não for só fase? E se daqui a 20 anos os meus ideais não mudarem? É tão subversivo achar que não existe algo superior que nos controla e que todos somos iguais e merecemos os mesmos direitos?


Eu quero sim ir atrás da minha crença. Se toda motivação for apenas o fervor da juventude, então irei aproveitá-la até a última gota. Eu tenho noção que talvez meus ideais não me levem a algu lugar específico, que talvez eu passe por algum tipo de repressão; mas mesmo assim eu vou tentar.